Walter Celani, o Tati, está sem dúvida entre os maiores craques do Uberaba Sport de todos os tempos. Meia cerebral, refinado, ele fez parte do grande time do USC na década de 50. Marcou época.
 
04-07-tati 1Tati veio de Guaxupé, onde o dirigente Nenê Mamá o descobriu na Esportiva. A mãe de Tati, dona Bárbara, antes da viagem do filho, entregou a ele um canivete e disse: “Se esse homem mexer com você, enfia o canivete nele”.
 
Não foi preciso. Nenê Mamá, que andava por diversas plagas procurando jogadores de talento, trouxe Tati em segurança, de jipe, pelas “estradas de chão”. Chegando ao clube, o meia foi morar no alojamento embaixo da arquibancada.
 
Naqueles tempos, grandes times vinham ao Triângulo enfrentar o Zebu. Em jogo com o Botafogo, Tati fez um gol de falta, no estilo “folha-seca”, marca registrada de um craque botafoguense. “Vieram ver Didi e viram Tati”, diziam os jornais.
 
O craque do Colorado foi jogar no Palmeiras de Oswaldo Brandão e depois no Inter de Porto Alegre, mas não ficou no Sul por causa do frio, que prejudicava a saúde da esposa, Maria Áurea. Voltou pro Uberaba e encerrou a carreira no Nacional. Depois da bola, foi trabalhar como representante de laboratórios farmacêuticos.
 
O apelido Tati veio do irmão Nelson Badão, que não conseguia falar Walter, falava “Vati”, e acabou ficando “Tati”. O meia, cerebral, só não teria sido convocado para a Seleção Brasileira porque, na época, iam só os jogadores do eixo Rio-SP. Certa vez, a Seleção Mineira, com Tati, meteu gol na Seleção Brasileira, e nem no jornal saiu.
 
Sempre muito clássico, Tati recebeu de Netinho o apelido de “fita métrica”. Um detalhe é que o jogador era destro, mas depois que machucou o dedão na rua, começou a bater com a esquerda e ficou melhor com a canhota.
 
04-07-tati 2Tati não era fácil. Em uma ocasião em que o USC não estava pagando, ele bateu o pé até acertarem o que deviam. O clube queria pagar só ele, que foi saindo e avisando os companheiros: “Vocês vão lá e recebam”.
 
Sem pestanejar, o ex-jogador não hesita em detonar a “roubalheira” que sempre existiu para ajudar os times da capital. “Era sempre um roubo. Tinha a tabela dirigida, se você perdesse em Belo Horizonte tinha que jogar de novo lá no returno, só se ganhasse os times de lá vinham aqui. Uma vez, acho que contra o Villa Nova, fiz um gol olímpico e o juiz deu impedimento”.
 
Tati só não dava trabalho com a bebida. Em uma viagem, a turma toda, ou quase toda, tomando alguma coisa no ônibus, um diretor surpreendeu um jogador com a garrafa na mão e quis sabem quem do time bebia. O zagueiro Dedão teria dito: “Aqui só não bebe o Tati, o Quincas e a bola”.
 
Em uma pasta onde guarda lembranças dos tempos de jogador, um jornal ressalta a atuação de Tati numa vitória do USC sobre o Atlético, por 3 x 0, em 1961. A matéria diz que “Tati alugava o meio-campo, destruindo os ataques rivais e ‘alimentando’ seus companheiros com passes certeiros e matemáticos”. Nas notas dos jogadores no jornal, Tati ganhou 10. Além dele, só o defensor Canindé, outro craque, levou nota máxima (“quer como lateral, quer depois quando foi para o pivot”, dizia a matéria). Tati foi, segundo o texto, a maior figura em campo, indiscutivelmente. Encerra a reportagem, sobre ele: “Ladrão do filme, ‘roubou’ o espetáculo para si. Um gigante.
 
Conheça mais sobre a carreira de Tati na Revista do REPLAY especial dos 100 anos do Uberaba Sport Club, nas bancas.

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