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Nas imagens dessa página, alguns momentos de Nenê Mamá: acima, o dirigente (à direita) recebendo o título de Cidadão Uberabense do então vereador João Adalberto de Andrade; mais abaixo, à esquerda, ele na inauguração do Uberabão, em 1972, e, à direita, com a faixa de campeão do interior de 1973; e ainda em caricatura de Peafo
 
O Uberaba Sport, por certo, teve bons presidentes, dirigentes, enfim, bons cartolas ao longo de sua história. Para não correr o risco de esquecer algum, prestamos um tributo, em nome deles, àquele que talvez seja o mais famoso de todos: Waldomiro Campos, o folclórico Nenê Mamá.
 
No dia-a-dia do clube, o desportista Nenê Mamá sempre se desdobrou para oferecer as melhores condições aos atletas – claro, cobrando os jogadores também. Nos bastidores, era tido como “infalível”. Seu bom relacionamento na Federação Mineira e na CBF são sempre lembrados. Ele não esquecia, de sempre que ia às entidades, levar “de presente” para o pessoal, doces, queijos e cachaças de Uberaba, agradando a todos - e, assim, quem sabe, amolecia-se um julgamento, abriam-se exceções para uma inscrição com prazo vencido, e por aí vai.
 
30-06-nenemama 2O livro “Causos de Nenê Mamá”, de Luiz Gonzaga de Oliveira, conta deliciosas histórias do simpático cartola. Entre tantos episódios, o que relatamos aqui mostra como era ladino o simplório Waldomiro Campos.
 
O ocorrido foi no Campeonato Mineiro de 1958. O Atlético tinha sido o campeão do primeiro turno e já estava na final. A disputa do segundo turno, já em 1959, tinha Cruzeira, América e USC “pau a pau” pela liderança, que valeria vaga na decisão com o Galo. Na última rodada, no dia 1º de março, os três chegaram empatados em pontos (8). E USC e América iam se enfrentar. O Cruzeiro, em BH, fez a parte dele e venceu o Galo por 1 a 0, chegando a 10 pontos.
 
Em Uberaba, em jogo com contestada arbitragem, Zebu e Coelho ficaram no 2 x 2. O Colorado abriu 2 x 0, com gols de Paulinho e Reinaldo, teve mais dois gols anulados e, no fim, cedeu o empate, também em lances polêmicos. O árbitro Luiz Pereira Filho, o popular Luiz Guarda, assim chamado por ser policial, teria deixado o Boulanger Pucci às pressas.
 
USC e América “morreriam abraçados”. Mas os dirigentes do Uberaba, inconformados com a arbitragem, queriam anular a partida (o que agradava o América também, já que, se vencesse em um novo jogo, poderia decidir o returno com o Cruzeiro em uma disputa extra, uma “melhor de três para desempatar). Mas... como anular um jogo porque o juiz errou? Aí entrou em cena o “herói” Nenê Mamá.
 
O bonachão dirigente viajou para Belo Horizonte e procurou o advogado do USC na capital, o procurador geral Alberto Pontes. O doutor, claro, queria saber: “o que vamos alegar para anular o jogo?”. Ao que Nenê Mamá respondeu:
 
30-06-nenemama-caricatura- Sabe, doutor. Eu me dou bem com o Luiz Guarda. Ponderei-lhe que o Uberaba foi prejudicado, que os bandeirinhas não haviam acompanhado direito os lances dos gols anulados e que, se ele, na súmula, colocasse que uma trave estava menor que a outra, daria erro de direito e o jogo seria anulado. Gostou da novidade?”. 

Pois foi isso que aconteceu. Na súmula, Luiz Guarda escreveu que a trave da entrada do Boulanger Pucci era menor que a dos fundos. Incrivelmente, o Tribunal deu mesmo erro de direito e o jogo foi anulado, com outra partida sendo marcada. O doutor Alberto Pontes veio a Uberaba posteriormente só para receber homenagens dos clubes de serviço, entidades de classe e, claro, do USC. O Cruzeiro não gostou da história e entrou com recurso, que paralisou o campeonato, mas não deu certo.
 
No dia 29 de março, então, a nova partida em BP, com toda imprensa esportiva de Minas interessada no desfecho. O árbitro escolhido foi Amílcar Ferreira, do Rio de Janeiro. Com as traves corretamente instaladas, o Uberaba saiu na frente, em gol de pênalti de Paulinho. O América empatou com Ernani. Aos 17 minutos do segundo tempo, por causa de uma forte chuva, o juiz suspendeu o jogo. O restante do prélio aconteceu no dia seguinte, segunda-feira à noite, com portões abertos.
 
E, para decepção da torcida local, Gunga Dim marcou o gol da virada, em um frango do goleiro Waldo (dizem que ele teria “vendido” o jogo e, depois escafedeu-se, escapando da “caça” de um irritado Nenê Mamá). O América chegou aos mesmos 10 pontos do Cruzeiro, e, na melhor de três, bateu a Raposa e foi à final – onde o Galo seria campeão.
 
Foi a vez em que o USC esteve mais perto da final do Mineiro. E mais uma vez em que Nenê Mamá mostrou sua astúcia.

 

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