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Uberaba Sport Club em 1938: Tinho, Juca Pato, Myra, Paulino, Affonso, Capim, Walfredo, Odilon, Pequitote, Tormin, Gradim, Amaral, Pino e, sentado, o goleiro Bio
 
O Corinthians chegou a Uberaba no dia 29 de abril de 1933, de trem, vindo de Ribeirão Preto para jogar dois amistosos com o USC. O time líder do Campeonato Paulista naquele momento trouxe jogadores famosos na época, como o goleiro Tuffy, os zagueiros Pedro Grané e Del Debbio, e os atacantes Filó (que seria campeão mundial com a Itália no próximo ano) e Neco, esse, primeiro grande ídolo corintiano e autor de mais de 200 gols durante seus quase 18 anos de clube. A delegação do Corinthians se hospedou no hotel Modelo. As partidas seriam no dia seguinte e no dia 1º de maio.
 
O estádio Boulanger Pucci estava com sua lotação máxima. Bandeiras com o escudo do USC tremulavam nas dependências mais altas das arquibancadas. O Uberaba entrou em campo trajando seu uniforme principal, vermelho vivo, com os atletas puxados pelo goleiro Bio. Além do arqueiro, entraram em campo Mira, João Paulino, Afonso, Capim, Walfredo, Odilon, Pequitote, Tormim, Gradim e Juca Pato. O treinador era Sebastião Braz.
 
O médico Boulanger Pucci, que emprestava seu nome ao estádio, ao se aproximar do técnico do time corintiano, Virgílio Montarini, anunciou: “Prepare-se para conhecer Juca Pato”. Curioso, o técnico quis saber de quem se tratava o sujeito, com um apelido tão esquisito. “Aquele negrinho ali, com as pernas finas”, apontou Boulanger Pucci.
 
Em campo o Corinthians mostrou a que veio e venceu as duas partidas, a primeira por 3 a 1 e no dia seguinte, 3 a 0. Ao fim do segundo jogo, Montarini, comandante do Corinthians, se dirigiu à Boulanger Pucci e lascou: “Você tinha razão, doutor. Vamos levá-lo”. E assim, após firmarem as devidas burocracias (que não eram tantas, devido ao pouco tempo de profissionalização do futebol), José Antônio da Silva, o Juca Pato, arrumou suas coisas (que também não eram tantas) em uma malinha simples e partiu para jogar no time de Parque São Jorge.
 
Sistemático e de poucas palavras, o ítalo-brasileiro Montarini, técnico do Corinthians, passou a chamar Juca Pato de Boulanger (com ênfase no E, BoulangÉr), em alusão ao médico que o indicou. Boulanger pra cá e pra lá, logo, Juca passou a ser conhecido assim e foi com o nome do médico uberabense que foi anunciado pelo rádio, na sua estréia, contra o Palestra Itália. E mesmo com uma derrota, foi muito elogiado por toda a imprensa paulista.
 
Juca Pato, ou Boulanger, era um jogador de explosão física invejável e muita correria. Não marcava muitos gols, mas criava jogadas, infernizando a torcida adversária. Marcelo Bernardes de Almeida, torcedor colorado, diz que seu pai, Antônio “Tota” Bernardes, falava muito sobre Juca. “Meu pai assistiu muitos jogos do Uberaba na década de 30. Dizia que era endiabrado e que aprontava uma correria na defesa adversária. Um dos melhores que ele já viu com a camisa do Uberaba”.
 
Juca Pato jogou dez partidas com a camisa alvinegra e marcou apenas um gol, na vitória sobre a América do Rio. Os maus resultados do Corinthians naquela temporada, a dificuldade de adaptação na capital paulista e a saudade da família fizeram Juca Pato tomar o trem de volta pra Uberaba.
 
Jogou com as cores do USC por mais sete anos e encerrou a carreira em 1945, durante a primeira participação do clube no Campeonato Mineiro, quando fraturou o tornozelo em dividida com um zagueiro do Atlético. Ficou inutilizado por mais de um ano e, sem mercado no futebol profissional, foi jogar o Campeonato Amador, pelo Atlético do bairro Abadia. Ainda proporcionava jogadas técnicas, mas sem o gás de outros tempos.
 
Juca Pato terminou a vida ao lado da companheira Zulmitra e quatro filhos, conciliando o trabalho de auxiliar de serviços gerais no estádio Uberabão e de pedreiro. Morreu aos 71 anos.

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